Esporte/Investimento
O que os esportes radicais têm em comum com os investimentos?
Neste conteúdo vamos mostrar os pontos comuns entre as duas áreas, o quanto esportes radicais também faz sentido no universo dos investimentos.
Publicado em
28/01/2022 às 11:00
Atualizado em
A imagem do investidor geralmente está relacionada a uma pessoa de traje social, em uma sala exclusiva no alto de um prédio comercial e, mais precisamente, na avenida Faria Lima (SP). Nesse sentido, a ideia de um amante dos esportes radicais passa bem longe.
Por outro lado, as habilidades que ele precisa desenvolver para operar no mercado ou estar atento as variações e volatilidades como, por exemplo, da Bolsa não são tão diferentes de quem pratica esportes radicais.
Daí, podemos formular duas breves sentenças: ‘Viver é um risco”. O inverso também é verdadeiro: “O maior risco da vida é viver sem risco”. Tanto nos esportes radicais, quanto nos investimentos temos que diferenciar dois termos: perigo e risco.
Perigo é o fato em si, ou seja, cair do skate, se machucar no meio da rua ou torcer o pé numa singela caminhada. Contudo, o risco é a probabilidade dessas coisas acontecerem. E, preste atenção, quando se entende como as coisas funcionam, o que pode acontecer, os vieses que são inerentes àquela atividade, por exemplo, é mais fácil de se gerenciar esse risco.
Assim, planejamento, preparo físico e mental, adaptação, resiliência, autoconhecimento e outros aspectos são alguns exemplos daquilo que tanto o esportista quanto o investidor devem exercitar, caso queiram atingir seus objetivos.
Pensando no mercado de investimentos, isso significa que é muito importante o investidor ter um entendimento básico das suas finanças e ter pessoas próximas em quem possa confiar, caso haja necessidade.
Se você quer entender mais sobre a relação existente entre os esportes radicais e investimentos, acompanhe este conteúdo até o final. Vamos lá?
O planejamento é o primeiro passo
Normalmente, o planejamento é o primeiro passo de qualquer modalidade de esporte. E o mesmo se aplica quando falamos sobre perfil de investidor.
Além do planejamento sobre a prática, também é fundamental o autoconhecimento. Saber quem é você. Saber o que é a volatilidade do mercado e entender como ela afeta os seus investimentos, por exemplo, é tão importante quanto entender qual é a sua tolerância a essa volatilidade.
Essa fase envolve a escolha da atividade esportiva, os equipamentos que serão utilizados, o ambiente onde ela será praticada, os conhecimentos que devem ser adquiridos, entre outras questões.
O mergulhador, por exemplo, precisa planejar cada passeio submerso que realizará. Isso envolve a escolha do cilindro de oxigênio, o tempo e distância que poderá percorrer com ele (considerando ida e volta), a profundidade, o período de descompressão e assim por diante.
Com o paraquedista ocorre o mesmo. Ele escolherá o paraquedas principal, o reserva, em que altura será realizado o salto, onde pretende realizar o pouso, observará questões climáticas etc. Ou seja, tudo é feito de modo a preservar sua segurança, saúde e a própria vida.
E, no mercado financeiro, não é diferente. Embora os riscos não sejam tão extremos, o planejamento também é indispensável quando se fala em investimentos. Afinal, você não quer perder todo o seu patrimônio em um investimento equivocado, não é mesmo?
Então o primeiro passo do investidor é o planejamento — especialmente o financeiro. Ele precisa saber o quanto entra ou sai de seu orçamento todos os meses para identificar o capital que poderá ser destinado aos investimentos, quais alternativas disponíveis para aquela quantia etc.
Com isso, conseguirá descobrir seu custo de vida e o que pode ser economizado para fazer sobrar mais. Contar com “equipamentos de proteção”, como a reserva de emergência, também é útil para evitar prejuízos nos seus investimentos, caso surjam imprevistos.
A fase de preparação é indispensável
Se você já foi aproveitar uma praia que tem o mar um pouco mais agitado, talvez já tenha presenciado uma aula de surfe. Antes de subirem na prancha, os alunos são orientados a fazer o alongamento e exercícios para preparar o corpo para as movimentações que farão na água.
Na sequência, aprendem e treinam movimentos básicos. Por exemplo, a remada, o ato de levantar da prancha e noções de equilíbrio — ainda na areia. Além disso, recebem orientações sobre o mar, correntes de retorno, imersão sobre ondas fortes e demais conceitos em torno do esporte.
Ou seja, é feito todo um preparo para que aspirante à surfista saiba o que pode acontecer e o que fazer quando estiver surfando. Afinal, o surfe é um esporte que envolve diversos riscos e ir despreparado para o mar pode ser fatal.
Em comparação, o despreparo também é uma das principais causas que fazem as pessoas terem prejuízo no mercado financeiro. Por exemplo, estudos da FGV revelam que mais de 95% das pessoas que fazem day trade perdem dinheiro.
Grande parte dessas pessoas foram atraídas pela possibilidade ter lucro no curtíssimo prazo — o que é possível acontecer no day trade. Contudo, não se prepararam para os riscos presentes no mercado de renda variável.
Logo, se preparar para o mercado pode evitar grandes prejuízos financeiros. E o esporte pode ser usado para isso. A prática de exercícios físicos ativa e oxigena o cérebro. Assim, é possível fazer análises mais apuradas e tomar decisões assertivas no momento de escolher um investimento.
Ademais, procurar um profissional que o ajude a estudar e conhecer os riscos de cada investimento, como se comportar ou o que fazer após iniciá-lo pode ser de grande ajuda nesse sentido. Desse modo, você saberá qual alternativa é mais adequada ao seu perfil e objetivos.
É preciso resiliência para enfrentar dificuldades
Resiliência é um atributo muito comum entre esportistas de atividades radicais. Não é raro profissionais do esporte sofrerem lesões que os incapacitam por longos períodos. No universo do skate, por exemplo, é bastante comum um competidor fraturar ossos e tendões durantes os treinos.
Porém, isso não é um empecilho para que o skatista volte às pistas e competições após o período de recuperação. Muitas vezes a força de vontade que o atleta tem de vencer, superar obstáculos, resistir à pressão ou situações adversas é o que lhe faz levantar a cada queda e tentar novamente.
E essa mesma resiliência deve nortear o investidor. Afinal, períodos ruins são inevitáveis no mundo dos investimentos. Eventos como crises econômicas, guerras comerciais, política e outros podem fazer com que o mercado passe por períodos de instabilidade, potencializados pelo efeito manada.
Consequentemente, você pode acabar perdendo dinheiro em algum momento ou tendo um investimento que não caminhou conforme o esperado. Porém, o seu controle emocional não pode ser abalado com esse tipo de ocorrência a ponto de fazer você desistir dos seus sonhos e metas.
Ao contrário, devem servir como combustível para que você possa se reestruturar e retornar com mais vontade de atingir seus objetivos pessoais. Definir uma nova estratégia de investimento, aprimorar o manejo de risco e diversificar podem ser formas de superar e controlar perdas.
Autoconhecimento é uma das chaves do sucesso
Seja no mundo os esportes ou dos investimentos, ter autoconhecimento é uma das chaves do sucesso. Grandes competidores esportivos sabem identificar seus limites pessoais e o de seus equipamentos. Assim, conseguem ter disciplina e equilíbrio emocional durante as competições.
Já imaginou um piloto de fórmula desistindo de uma corrida cada vez que faz uma curva errada ou é ultrapassado? E se ele pilotar no limite da capacidade do seu carro para acompanhar o desempenho do veículo do adversário, correndo o risco de não conseguir terminar a prova?
Ele tem o desafio de equilibrar seus desejos e possibilidades. No mercado financeiro também é assim. Muitos tratam o mercado como uma grande competição, em que é preciso ganhar mais que dos demais participantes.
Contudo, isso pode fazer com que a pessoa tome mais riscos e sofra perdas e frustrações maiores. Logo, você precisa ter a disciplina para não arriscar mais do que pode, nem tentar ganhar a todo o custo. Ter sucesso no mercado depende principalmente de você, e não dos outros.
Viu como os conceitos aplicáveis nos esportes radicais também fazem sentido no universo dos investimentos? Depois de conferir este conteúdo que tal se planejar, preparar e trabalhar melhor a sua resiliência e autocontrole antes de começar a investir? Isso pode mudar seus resultados!
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Fonte: Thiago Goulart – Educador Financeiro da vainvestir.com.br
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