SANEAMENTO
Privatização da Copasa trava e acende alerta sobre saneamento em Minas
Adiamento do processo gera incerteza sobre investimentos, tarifas, contratos municipais e cumprimento das metas de universalização até 2033
Publicado em 29/05/2026 às 12:15
O processo de privatização da Copasa voltou a gerar incerteza em Minas Gerais. A operação, tratada pelo governo Romeu Zema como uma das principais apostas para atrair investimentos privados e acelerar a universalização do saneamento, sofreu novo adiamento e acendeu alerta entre empresas interessadas, municípios e consumidores.
A discussão vai além da venda de uma estatal. A decisão sobre o futuro da Copasa pode influenciar diretamente a expansão dos serviços de água e esgoto nas cidades mineiras, principalmente onde ainda há déficit de coleta e tratamento de esgoto.
Metas pressionam o setor
O marco legal do saneamento estabelece que, até 2033, o país deve alcançar 99% da população com água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto.
Em Minas, segundo dados da própria Copasa citados na matéria, a companhia atende 99,6% dos clientes com água tratada, mas 79,4% com esgoto coletado e tratado. Isso mostra que o maior desafio ainda está no avanço do esgotamento sanitário.
Processo foi adiado
Mesmo após a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovar, em dezembro de 2025, o projeto que autorizou a privatização da Copasa, a execução da venda encontrou obstáculos.
Em 27 de maio, a companhia anunciou o adiamento do processo, citando “fatores supervenientes”, sem detalhar publicamente quais seriam esses fatores. A empresa informou que novas versões do prospecto preliminar e um cronograma atualizado serão divulgados após manifestação do Comitê de Coordenação e Governança de Estatais.
Cidades querem garantias
Para o governo estadual, a entrada de capital privado poderia ampliar a capacidade de investimento e ajudar Minas a cumprir as metas do saneamento. Já críticos da privatização apontam riscos de aumento de tarifas, perda de controle público e piora no atendimento em municípios menos lucrativos.
Esse é o ponto mais sensível: garantir que qualquer mudança no modelo da Copasa venha acompanhada de regras claras sobre preço, qualidade do serviço, fiscalização e expansão das redes.
Para a população, a pergunta central é simples: o serviço vai melhorar sem pesar ainda mais no bolso?
Com o processo travado, Minas entra em uma fase de incerteza. A privatização ainda pode avançar, mas o adiamento mostra que a operação depende de ajustes políticos, técnicos, regulatórios e financeiros.
Fonte: Portal da Cidade Brumadinho
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