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CASO POLÊMICO

Juiz que passou por Brumadinho é afastado pelo TJ-MG após episódio em sessão online

Milton Lívio Lemos Salles é investigado pela Corregedoria após aparecer consumindo vinho e acendendo cigarro durante julgamento por videoconferência

Publicado em 12/08/2026 às 12:00

sessão acabou sendo interrompida depois que o consumo da bebida alcoólica foi percebido (Foto: Reprodução)

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) decidiu pelo afastamento do juiz Milton Lívio Lemos Salles, da 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte, depois que o magistrado foi visto consumindo vinho e acendendo um cigarro durante uma sessão realizada de forma remota.

O episódio aconteceu na segunda-feira, 10 de agosto. Durante a transmissão, o juiz aparece virando uma garrafa de vinho e utilizando um maçarico para acender um cigarro. A sessão acabou sendo interrompida depois que o consumo da bebida alcoólica foi percebido.

O afastamento foi determinado pelo corregedor-geral de Justiça, desembargador Raimundo Messias Júnior. A medida, porém, ainda será avaliada pelo Órgão Especial do TJ-MG, que tem sessão prevista para esta quarta-feira, 12.

A Corregedoria-Geral de Justiça abriu uma sindicância para investigar o comportamento do magistrado. Conforme o Tribunal, os processos que estavam sob responsabilidade de Milton Lívio serão redistribuídos para outros juízes.

Passagem pela comarca de Brumadinho

A trajetória do magistrado na Justiça mineira inclui uma passagem por Brumadinho, antes de sua chegada à 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte. Ele também trabalhou nas comarcas de Araçuaí e Montes Claros.

Milton Lívio Lemos Salles é natural de Belo Horizonte e concluiu o curso de Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos em 1989. Ele ingressou no Judiciário mineiro em 1998 e está há 17 anos à frente da 4ª Vara Criminal da capital.

O juiz é filho do desembargador aposentado Tibagy Salles Oliveira, que comandou o extinto Tribunal de Alçada de Minas Gerais entre 1998 e 2000.

Juiz contesta repercussão do caso

Em um vídeo divulgado após o episódio, Milton Lívio afirma estar sendo alvo de “difamação”. Ele critica o TJMG, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal, além de citar autoridades e antigos dirigentes do Judiciário mineiro.

Na gravação, o magistrado também acusa integrantes do tribunal de corrupção e menciona a aquisição de mais de 170 veículos Toyota Corolla híbridos. As declarações, contudo, não são acompanhadas de documentos ou outras provas apresentadas no vídeo.

O juiz termina a gravação dizendo que está disposto a falar publicamente sobre as acusações.

O TJMG não se pronunciou sobre as declarações feitas pelo magistrado.

Fonte: André Vince

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