Portal da Cidade Brumadinho

Operação Intrafortis

PF indicia suspeitos de esquema de propina em licenças ambientais e minerárias em MG

Delegado citado no caso atuou como superintendente da PF em Minas durante o rompimento da barragem de Brumadinho

Publicado em 26/08/2026 às 12:00

Relatório aponta suspeita de pagamentos para acelerar autorizações (Foto: Agência Brasil)

A Polícia Federal indiciou 10 pessoas no âmbito da Operação Intrafortis, investigação que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo o pagamento de propina para agilizar licenças ambientais e autorizações relacionadas à mineração em Minas Gerais. Entre os investigados estão dois delegados da própria PF, um ex-deputado estadual e o vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto.

De acordo com o relatório final da investigação, o grupo teria utilizado empresas registradas em nome de terceiros para negociar direitos minerários avaliados em mais de R$ 200 milhões. A PF aponta o delegado federal Rodrigo de Melo Teixeira como um suposto líder oculto da estrutura investigada. Ele foi superintendente da corporação em Minas Gerais à época do rompimento da barragem de Brumadinho.

A apuração é um dos desdobramentos da Operação Rejeito e tramita sob supervisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6). Com o encerramento do inquérito, o material será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), responsável por avaliar se apresentará denúncia.

Além de Rodrigo Teixeira, foram indiciados a delegada aposentada da PF Kelly Cristina de Castro Batista; os empresários Ursula Paula Deroma, Phillipe Westin Deroma Furtado, Marcos Arthur Mendonça e Gilberto Henrique Horta de Carvalho; Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto; Luiz Fernando Vilela Leite; Daniela dos Santos Wandeck, mulher de Teixeira; e o ex-deputado João Alberto Paixão Lages.

As suspeitas atribuídas aos investigados variam e incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tentativa de interferência nas investigações e violação de sigilo funcional.

Conforme a investigação, a atuação do grupo teria ocorrido principalmente em duas áreas. Uma delas seria a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad), onde seriam buscadas licenças e autorizações ambientais, incluindo documentos relacionados ao manejo de fauna. A outra seria a Agência Nacional de Mineração (ANM), para obtenção de alvarás de pesquisa e autorizações para cessão de títulos.

Segundo a PF, a finalidade seria aumentar o valor de direitos minerários localizados em Caeté, Santa Bárbara, Congonhas e Bela Vista de Minas e posteriormente negociá-los com investidores.

A Operação Intrafortis apurou ainda uma suposta utilização da estrutura da Polícia Federal para atender interesses particulares.

Em março de 2022, uma fiscalização foi realizada na empresa Green Metals, localizada na mesma região onde a GMAIS negociava ativos com o empresário Maurício Índio do Brasil. Segundo a PF, a ação teria sido solicitada por Rodrigo Teixeira e conduzida por Kelly Cristina, sem a existência de investigação anterior.

O indiciamento encerra a etapa da investigação policial. Agora, caberá ao Ministério Público Federal analisar o material e decidir sobre eventual apresentação de denúncia à Justiça.

Fonte: André Vince

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp