Portal da Cidade Brumadinho

MANIFESTAÇÃO

Protesto de indígenas ocupa sede da Vale em busca de realocação da Aldeia Katurãma

Manifestantes reivindicam um território definitivo e reparação integral pela tragédia de Brumadinho

Publicado em 14/08/2026 às 09:00

Indígenas querem igualdade em relação a acordos firmados com outras comunidades (Foto: Divulgação)

A sede administrativa da Vale, em Nova Lima, é ocupada desde a manhã desta quinta-feira, 13 de agosto por integrantes da Aldeia Katurãma. O grupo cobra uma solução para a realocação da comunidade e reivindica reparação integral após o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho.

Ao todo, 63 indígenas participam da manifestação. A Aldeia Katurãma foi criada em 2021 por integrantes dos povos Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe, que deixaram a Aldeia Naô Xohã depois da tragédia ocorrida em 25 de janeiro de 2019. Atualmente, a comunidade reúne 147 pessoas, entre crianças e adultos, e está instalada na Mata do Japonês, em São Joaquim de Bicas.

Durante o protesto, os indígenas colocaram lama na recepção do prédio onde funciona o escritório da mineradora. Segundo informações verificadas no local, a manifestação ocorria de maneira pacífica no início da tarde, com a circulação normal dos funcionários da empresa.

A cacica Ãgohó afirmou que o grupo pretende permanecer no local até conseguir uma reunião com um representante da Vale que tenha autoridade para tomar decisões. Entre as reivindicações apresentadas estão a igualdade de direitos em relação a acordos firmados pela mineradora com outras comunidades indígenas e a transferência definitiva da aldeia para outro território.

Segundo a líder, a comunidade enfrenta problemas relacionados à falta de água potável há mais de seis dias, além de relatos de animais mortos e pessoas doentes.

A manifestação também utilizou lama e uma tintura conhecida como “xadrez preto e vermelho”. De acordo com a cacica, o preto simboliza o rejeito da lama, enquanto o vermelho representa o sangue das vítimas, o rio e a resistência da comunidade. Ela ressaltou que o material usado não era tóxico nem contaminado.

A líder ainda afirmou que os indígenas estão há sete anos sem realizar atividades como batizados de crianças, caça e pesca e reforçou o pedido de igualdade em relação aos acordos feitos com outras comunidades.

Em posicionamento oficial, a Vale declarou que cumpre integralmente os acordos já firmados com comunidades indígenas. A empresa também afirmou que permanece disponível para o diálogo, respeitando os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.

A mineradora disse ainda respeitar manifestações pacíficas e destacou a garantia do direito de circulação de pessoas, além do funcionamento das atividades de empresas.

Fonte: André Vince

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp