INSATISFAÇÃO
Moradores de Brumadinho criticam supressão de árvores em obras na região de Aranha
Relatos apontam intensificação do corte em trecho de alargamento de estrada. Prefeitura afirma que todas as etapas da obra foram conduzidas conforme a lei.
Publicado em 03/07/2026 às 14:15
Moradores de Brumadinho manifestaram insatisfação diante da retirada de árvores ao longo de estradas rurais, especialmente no trecho de obras próximo à comunidade de Aranha. Segundo relatos feitos ao Portal da Cidade, a intervenção ocorre durante o processo de alargamento da via e tem gerado preocupação entre quem vive na região.
A principal crítica é a forma como a vegetação vem sendo tratada durante as obras, vista por moradores como “dano colateral”, sem consideração pela perda ambiental. Eles afirmam que não foram consultados sobre o modelo de intervenção adotado, nem sobre alternativas que pudessem equilibrar desenvolvimento e preservação.

Entre os pontos levantados estão a perda de sombra, impactos na paisagem rural, riscos à biodiversidade e possíveis prejuízos à circulação da fauna local. Moradores também destacam que a área integra seu cotidiano e identidade territorial.
Uma moradora da região, que atua na área rural e já trabalhou com agrofloresta nas proximidades do trajeto entre Piedade e Aranha, relata que a intensidade dos cortes aumentou no trecho mais recente das obras. Ela descreve o barulho constante de motosserras e afirma ter questionado trabalhadores no local sobre a quantidade de árvores retiradas, recebendo como resposta a afirmação de que “agora que nós vamos cortar é mais mesmo”.

O relato também menciona que a chegada das obras à região de Aranha intensificou a percepção de impacto ambiental. Eles pedem maior diálogo com a comunidade local antes da execução de intervenções desse tipo.
O Portal da Cidade entrou em contato com a Prefeitura para obter uma explicação sobre o corte das árvores.
A administração muncipal informou que "a obra de alargamento da estrada na região do Aranha integra o conjunto de intervenções previstas no Acordo de Reparação firmado após o rompimento da barragem da Vale, em 2019. A iniciativa faz parte das ações destinadas à melhoria da infraestrutura viária, da mobilidade e da segurança no município",.
Além disso, afirmou que "todas as etapas da obra foram conduzidas em conformidade com a legislação vigente, observando os procedimentos técnicos, ambientais e administrativos exigidos pelos órgãos competentes, bem como as licenças e autorizações necessárias para sua execução, e lembra que, especificamente quanto às iniciativas de reparação, os instrumentos de controle social e transparência são ainda mais abrangentes que o usual. Os compromitentes do acordo são o Governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) e a Vale S.A., que disponibilizaram todas as iniciativas e projetos para consulta pública".
Por fim, a Prefeitura afirmou que "permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários e reafirma que todas as obras executadas no município seguem os trâmites legais e técnicos exigidos pelos órgãos responsáveis".
Fonte: André Vince
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